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Saúde fora da caixa

Nós aqui deste mundo adoramos dar rótulos, encontrar uma “caixa” e definir as coisas dentro de certos limites. Nossa cabeça faz isso em praticamente todos os aspectos da nossa vida: na escolha da nossa profissão, nas nossas relações pessoais e obviamente na nosso pensar em saúde, afinal de contas, essa ou aquela doença aconteceu por causa desse ou daquele vírus, bactéria, fungo. Ou esse sintoma existe porque causa disso! Tudo bem certinho, pontual, definido.

A área da saúde apresenta uma lista interminável de causas e consequências. Mas será que a gente pode aplicar esse modelo para tudo? Infelizmente (ou felizmente?) a resposta é não. Tentar usar essa dicotomia sempre pode te levar à loucura!

Meu lugar de fala é do profissional fisioterapeuta, mas acredito que outros profissionais podem se identificar. A área que mais gosto de estudar na fisioterapia é o movimento humano, e encontrar uma única causa para as disfunções do aparelho locomotor é, praticamente, dar um tiro no próprio pé. Falamos em risco, aliás, não mais “fator de risco” e sim “perfil de risco” porque simplesmente tudo (tudooooo) influencia o nosso corpo e é a combinação de muitas coisas que geram (ou não) disfunções no nosso movimento.

A cabeça do profissional de saúde busca insistentemente a causa da dor no joelho daquele paciente, mas a resposta mais conclusiva que ele encontra é um “pode ser isso, ou não”. É ou não é para deixar a mente dicotômica doida? (Talvez precisamos de mais Filosofia na saúde).

O mais difícil é que do mesmo jeito que nós profissionais temos essa mente o paciente também tem, e quando ele paga por uma sessão de fisioterapia ele quer saber o que causou o problema dele para então mudar aquele ponto e resolver. Pois bem meus caros, essa resposta não é nada simples. E se você se viu nesse parágrafo prepare-se para a frustração.

Você pode ter o melhor colchão do mundo e sentir dor lombar, pode ter o melhor tênis e machucar o joelho na corrida.

Você pode fazer atividade física regularmente e ter encurtamentos musculares. Ou simplesmente não fazer absolutamente nada e ter a mesma lesão de um atleta de elite.

E, olhando por outro ângulo, você pode ter o famoso pé “chato” e correr bem, pode ter aquele joelho que cai para dentro (conhecido como valgo dinâmico) e ainda assim conseguir levantar muito peso ou você pode praticar vários esportes radicais e nunca ter sentido dor. São muitas variáveis e intermináveis combinações que atingem um indivíduo (haja coração para estudar individualidade!).

Mas calma, esse texto não é para desesperar ninguém, pelo contrário, é para acalmar os ânimos. A ciência continua avançando e o ser complexo já é seu objeto de estudo. A ideia aqui é uma dica básica: saia do pensamento em linha reta, engessado (uma causa – uma consequência) e evite que o lado dicotômico da sua mente comande o tempo todo. Aliás, pode extrapolar essa dica para além da sua saúde ok? Rsrs

Abraços,

Marina Muller