Estilo de Vida, Lesões, Saúde

Educação Física ou Fisioterapia? Quem faz o que?

Olá amigos,

Desde que eu me entendo por profissional de saúde acompanho as discussões entre categorias. Muitas tentam centralizar toda a ação em saúde, o que a meu ver é simplesmente impossível. Quanto mais você estuda a saúde humana mais você percebe a complexidade que ela envolve e o tanto que ainda estamos engatinhando.

Tirando esse fato como base fica fácil entender porque nenhuma categoria profissional pode ser considerada melhor que a outra. São simplesmente formas de ver diferenciadas e assim tudo pode ser relativizado.

Quando eu era recém formada tinha essa tendência também de rotular uma categoria por completo. De declarar guerra a eles e achar que todos são iguais. Dá um desconto, eu era bem jovem.

Mas com o passar do tempo percebi que existem profissionais e “profissionais” e que não dá para generalizar.  Consegui me livrar dos preconceitos e isso me ajudou muito a crescer profissionalmente.

A verdade é que o trabalho em equipe é o que mais te faz crescer. É com um time que você percebe que por mais que sua conduta com determinado paciente seja a correta ela não necessariamente é a melhor para aquele paciente. É no trabalho em equipe que você vê a mesma patologia com outros olhos, que você sai da caixa, que expande.

Eu acredito que a legislação existe para assegurar que profissionais não ultrapassem o limite de sua capacitação e acabem por oferecer algum risco ao paciente. E nessa esfera acredito que eu nem precise entrar né? Não sabe fazer, não faça. Ponto.

São muitas as categorias que entram em conflito. Como o exemplo desse texto é a Educação Física e a Fisioterapia Esportiva vamos falar mais disso. Essas duas áreas tem o mesmo público alvo: pessoas fisicamente ativas. Contam com uma ferramenta de trabalho em comum: o movimento, e pesquisam o mesmo tema: a saúde. Como diferenciar?

Realmente existe uma grande intersecção aí. O que muda é o olhar. Os dois profissionais tem capacidade para trabalhar com pacientes e clientes, mas como eu disse no início, é um pouco complicado fazer tudo sozinho.

Vamos usar a pirâmide de performance do fisioterapeuta norte americano Grey Cook para explicar melhor isso: Essa pirâmide é formada por três camadas. O topo da camada é o ato esportivo em si, para chegar nele é preciso antes passar pelas duas camadas inferiores.

Na base da pirâmide está a camada Fundamentos do Movimento (Movement), nessa camada o profissional mais atuante seria o fisioterapeuta. Aqui o foco do trabalho é a estabilidade do movimento, a simetria, a mobilidade específica e o controle motor. Ou seja, a base para conseguirmos um movimento saudável.

No meio da pirâmide está a camada capacidades do movimento (Performance). Nessa parte quem melhor atua é o Educador Físico, é ele quem vai desenvolver as capacidades físicas do atleta como força, resistência, coordenação, equilíbrio, entre muitas.

Como eu disse anteriormente, no topo da pirâmide existe a habilidade específicas do esporte (Skill). Nessa área quem atua é aquele que conhece o esporte, ou seja, o técnico, que não necessariamente é Educador Físico ou Fisioterapeuta. Muitas vezes é um ex-jogador que entende detalhadamente o assunto e se tornou especialista nele.

Por aqui já conseguimos entender que é um trabalho em equipe. Um não termina e o outro começa. Os dois profissionais atuam juntos para a melhor qualidade de vida (ou resultado no esporte) desse cliente. Eu entendo que muitas vezes os ânimos se exaltam mas até hoje o único que vi sendo prejudicado por qualquer disputa entre categorias é o cliente. E isso é, no mínimo, injusto.

Profissional bom e ruim tem em todos os lados. Não dá para generalizar. O melhor que temos a fazer é confiar em quem contratamos e nos mantermos abertos a novas visões! Dá uma olhadinha no vídeo abaixo onde eu e meu amigo, o fisioterapeuta Vinícius Moraes conversamos sobre isso:

 

 

 

Abraços todos e até semana que vem!

Marina Muller