Estilo de Vida, Saúde

A experiência de ser fisioterapeuta!

Olá amigos!

Hoje é dia 13 de outubro de 2017! Dia do profissional fisioterapeuta! Postei um vídeo bem leve sobre essa  categoria profissional no canal do YouTube, mas aqui eu gostaria de contar um pouco mais sobre minha experiência dentro dessa profissão.

Me formei há 10 anos. Uma vez formada eu tinha certeza absoluta de que estava na profissão certa. Amava todas as matérias da universidade. Tinha dificuldade para escolher em qual área atuar porque tudo parecia incrível para os meus olhos.

Logo que formei me mudei para a Austrália e comecei minha atuação profissional lá. Claro que não foi uma transição fácil, fiz vários cursos, trabalhei em vários lugares, mas depois de alguns anos eu estava em um hospital de reabilitação renomado de Sydney e com muitas chances de crescer. Naquela época eu ainda tinha certeza. Nasci para isso!

Depois de 4 anos na Austrália meu marido foi transferido para o Brasil através do trabalho e então voltamos. Minha cabeça na época? “Maravilha! Vou voltar para meu país, com toda essa bagagem e continuar crescendo profissionalmente, tenho boas chances de sucesso”. Até me aperta o coração lembrar desse entusiasmo.

Chegamos no Brasil e eu comecei a saga do emprego. A minha profissão tão amada, que é valorizada na Austrália, no Brasil ainda engatinha. Brigas entre categorias, desvalorização do atendimento, precariedade da formação, falta de políticas públicas decentes. Não sei nem como apontar o que me impedia de crescer.

Quando você está no meio do furacão você não tem essa leitura tão cartesiana. Eu trabalhei para uma clínica que por três meses se recusou a fazer um contrato e cada mês pagava o que queria. Saí (contrariando os conselhos de amigos que me diziam – “É assim mesmo, daqui a pouco melhora” – Não gente, não pode ser assim!). Quando achei que estava dando um passo na direção certa caí na lábia de um charlatão que me prometeu um contrato em uma empresa famosa em São Paulo, eu só precisaria fazer voluntariado por dois meses, iria receber ajuda de custo no voluntariado e seria contratada logo após. Fiz os dois meses, sem ajuda de custo (detalhe: eu viajava 50Kms para chegar no trabalho diariamente), e não apenas não existia a possibilidade de contrato, como os diretores responsáveis pela clínica não tinham conhecimento do que havia sido combinado comigo. Ódio não define meu sentimento.

Quanta decepção. Quando você se acostuma com um país onde a palavra é o mesmo que um contrato e o profissional de saúde é bem visto pela comunidade fica difícil aceitar coisas desse tipo.

Me desiludi! Muito! Estava sem grana e deprimida. Coloquei tudo nas costas do curso, achei que tinha sido o maior erro da minha vida aquele quadradinho marcado no vestibular e decidi que nunca mais passaria por isso.

Dentre as possibilidade de fazer algo a respeito e rápido me inscrevi em um concurso público para uma área completamente diferente da minha. Estudei muito e em quatro meses passei. Pronto. Problema resolvido. Não tenho mais que olhar para trás.

Só que a última coisa que acontece na vida é algo se resolver assim. Foram anos apaixonada por um tema. Anos de dedicação. Essa paixão ainda estava dentro de mim. Todas as vezes que alguém me perguntava a respeito do joelho, da dor muscular, lá estava eu explicando… envolvida pelo tema. Mas fui levando minha vida “estável”.

Menos de dois anos depois de entrar no meu cargo meu marido foi transferido novamente. Dessa vez para o México, e eu tive que me afastar do trabalho. E agora? Em outro país as informações que trago do concurso público não me valem de nada. Para que lado eu corro? Especialistas dizem que temos que encontrar nossa paixão. Eu respirei e procurei. E adivinha onde encontrei? Óbvio, na saúde.

A verdade é que as experiências da vida só nos fazem mudar de um espectador a outro. O conhecimento nunca é perdido. Ele se renova e se enriquece por nossas experiências, sejam elas onde for. Reciclei meu conhecimento e permiti vivenciar minha área novamente.

Hoje tenho orgulho de dizer que sim, sou fisioterapeuta! Meu trabalho atual mudou muito e ainda estou na tentativa-e-erro para encontrar o que mais vale a pena para mim . Não é uma tarefa fácil não. Até onde eu sei essa busca nunca vai chegar ao fim, eu só preciso ter paciência para entender. Afinal de contas, tanto eu quanto meu objeto de estudo estamos sempre em equilíbrio dinâmico.

Esse foi o vídeo que postei. Espero que gostem!! Abraços a todos!

Marina Muller